A importância da conservação da biodiversidade brasileira diante do seu papel central como produtora

Atualizado: 22 de set. de 2021



O debate sobre a importância da preservação da biodiversidade brasileira contou com a moderadora do painel, pesquisadora do CENERGEM (Embrapa) e Conselheira do Fórum do Futuro, Eliana Fontes e o professor do Departamento de Ecologia da Universidade de Brasília (UnB) e ex-secretário da Biodiversidade no Ministério do Meio Ambiente, Bráulio Dias.

Para Eliana, quando falamos em meio ambiente, falamos de biodiversidade, porque ela está no contexto do desenvolvimento agrícola e industrial, do bem-estar do ser humano, da convivência e da nossa esperança de futuro.

“Ao longo do Seminário discutimos as inúmeras aplicações da biodiversidade e como melhor utilizá-la em benefício da população brasileira, mas ainda não falamos sobre a conservação dessa biodiversidade, não tocamos com mais profundidade, por exemplo, na agricultura que é a maior responsável pelo PIB agrícola brasileiro, onde estão as grandes áreas de produção das commodities, que ocorrem principalmente no bioma Cerrado, na Mata Atlântica e nos Pampas”, salientou.

Ela acrescenta que a agricultura brasileira é extremamente poderosa em todos os contextos, mas tem fraquezas que talvez no futuro impeçam o país de ter os mercados que possui hoje ou que realmente tenha condições ambientais de produzir como produz atualmente, devido ao uso excessivo dos recursos naturais.

Valorizando a biodiversidade

O professor do Departamento de Ecologia da Universidade de Brasília (UnB) e ex-secretário da Biodiversidade no Ministério do Meio Ambiente, Bráulio Dias, explicou que o setor agropecuário brasileiro ainda não valoriza, adequadamente, a biodiversidade.

“Na medida que nós discutimos estratégias para o futuro desse setor, a produção de alimentos e o papel do Brasil no cenário internacional, é importante também valorizar o país como o mais rico em biodiversidade do mundo e o que mais a conserva, apesar de sermos ainda o campeão mundial de desmatamento”.

Dias expõe ainda que hoje existem 1 milhão e 800 mil espécies reconhecidas no mundo inteiro e que em estudo realizado, há 20 anos, por pesquisadores de São Paulo, para se ter uma estimativa real do tamanho da riqueza de biodiversidade do Brasil, foram identificados que hoje o que é conhecido, representa apenas 10% do total de espécies que realmente existem no país.

“Essa biodiversidade se encontra, principalmente, nos trópicos americanos, por isso a América do Sul é conhecida como a região mais rica em biodiversidade do mundo, em relação a espécies de vertebrados em áreas continentais, com destaques para a Amazônia, a Mata Atlântica e o Cerrado. Em termos de Flora, o Brasil tem hoje mais de 33 mil espécies de plantas descritas no território e pelo menos 55% dessas plantas são endêmicas no país, ou seja, só ocorrem no território brasileiro”, detalhou.

Ele finalizou a sua apresentação chamando a atenção para as grandes ameaças mundiais para a sustentabilidade. “Já ultrapassamos, e muito, os limites de perda de biodiversidade, de contaminação ambiental com nitrogênio e de mudanças climáticas, em todos os níveis globais. O Fórum Econômico Mundial tem, frequentemente, reconhecido nos seus relatórios as questões ambientais como fontes de riscos para a economia mundial, por isso a necessidade do setor financeiro/econômico dar mais atenção para as questões ambientais, para que esse risco não se materialize”.

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