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Agricultura regenerativa ganha força no Brasil e mostra que é possível produzir mais, com menos impacto e mais ciência

  • 8 de mai.
  • 4 min de leitura

Projeto Regenera Cerrado acompanha manejo em 8 propriedades rurais e combina ciência e prática para promover produtividade com sustentabilidade


Claudio Augusto Leão é empresário rural no sudoeste de Goiás.
Claudio Augusto Leão é empresário rural no sudoeste de Goiás.

O produtor rural brasileiro ocupa papel central em uma transformação cada vez mais visível no campo. Essa transformação é impulsionada pela agricultura regenerativa, um conjunto de técnicas que propõe uma nova forma de lidar com o solo ao conciliar produtividade, sustentabilidade e decisões orientadas por dados e conhecimentos técnicos.


No Centro-Oeste do país, especificamente no sudoeste de Goiás, produtores de soja e milho que participam do projeto Regenera Cerrado compartilham experiências que refletem essa mudança de mentalidade. A iniciativa conecta conhecimento técnico, validação científica e práticas já adotadas no campo para fortalecer sistemas produtivos com escala comercial.


Para o agricultor Cláudio Augusto Leão, proprietário de uma fazenda no sudoeste do estado, a participação no projeto trouxe segurança para avançar em decisões que antes eram guiadas principalmente pela observação prática. “O Regenera Cerrado apresentou respostas científicas para aquilo que a gente já vinha percebendo no dia a dia. Isso nos dá mais confiança para continuar evoluindo no manejo”, afirma.


Segundo ele, a principal mudança sobre as práticas regenerativas aconteceu na forma de compreender a área produtiva. “Passei a enxergar o solo como um organismo vivo. A partir disso, todas as decisões passaram a considerar os impactos de longo prazo, não apenas o resultado imediato.”


Essa virada de percepção começou ainda entre 2017 e 2018, quando o modelo baseado no uso intensivo de insumos químicos deixou de apresentar a eficiência esperada. “Chegou um momento em que percebemos que repetir o mesmo manejo não resolvia mais os problemas. As doenças aumentavam e a produtividade ficava instável. Foi quando buscamos novas alternativas e começamos a repensar todo o sistema de cultivo”, explica.


Ciência aplicada e validação no campo


A proposta do Regenera Cerrado é integrar prática e ciência em áreas produtivas reais, permitindo a validação de indicadores ligados à saúde do solo, produtividade e sustentabilidade ao longo das safras. A coordenação técnico-científica é da Embrapa, com execução operacional do Instituto BioSistêmico (IBS).


Outro participante do projeto é Charles Peeters, proprietário da fazenda Montividiu, em Goiás. Ele conta que decidiu aderir ao programa após acompanhar os resultados iniciais obtidos por outros agricultores.


Charles Peeters, produtor participante do projeto Regenera Cerrado.
Charles Peeters, produtor participante do projeto Regenera Cerrado.

“Na minha propriedade já existe uma estrutura de sistema produtivo mais equilibrado, pois resolvemos implementar opções de manejo mais sustentáveis. No entanto, quero entender os motivos e saber como é possível continuar evoluindo com as práticas regenerativas. Em outras palavras, o objetivo é consolidar um ambiente que se mantenha produzindo bem, independentemente da condição climática”.


Charles relata que o manejo atual inclui o uso de plantas de cobertura, consórcios com braquiária, aporte de matéria orgânica e práticas que favorecem a estrutura física e biológica do solo. Pelo fato de ter conhecimento sobre boas práticas de plantio, o empresário explica que a agricultura regenerativa precisa caminhar junto com a viabilidade econômica. “Vale reforçar que a sustentabilidade também passa pela rentabilidade. Portanto, é preciso produzir bem, gastar melhor e garantir a continuidade do negócio.”


Compromisso com a agricultura sustentável


Desde o início das atividades, o Regenera Cerrado conta com a parceria da Cargill, empresa com mais de 60 anos de atuação no Brasil. Entre os compromissos da companhia estão o fortalecimento das comunidades onde mantém presença e o incentivo a práticas sustentáveis voltadas à produção de alimentos.


De acordo com Jorge Gustavo, Analista de Sustentabilidade do Negócio Agrícola da Cargill, iniciativas como o Regenera Cerrado são estratégicas para o avanço do setor agrícola, ao demonstrarem, na prática, que é possível conciliar produtividade, conservação ambiental e geração de valor ao longo de toda a cadeia.


“Avaliamos que o projeto atua em dois eixos fundamentais: o compartilhamento de conhecimento técnico qualificado e a conscientização dos produtores sobre os impactos positivos da agricultura regenerativa na produção comercial”, observa.


Como é feita a seleção das propriedades?


As propriedades rurais selecionadas para participar do Regenera Cerrado são disponibilizadas como áreas de pesquisa de campo pelas instituições envolvidas, funcionando como verdadeiros laboratórios a céu aberto. 


Para integrar o projeto, é fundamental que o produtor demonstre comprometimento com a iniciativa e disponibilidade de área para a aplicação dos protocolos metodológicos definidos pelos pesquisadores, sem comprometer de forma significativa a rotina produtiva da fazenda.


Sobre o Projeto Regenera Cerrado


Idealizado pelo Instituto Fórum do Futuro em 2022, o Regenera Cerrado tem como propósito disseminar práticas de agricultura regenerativa validadas cientificamente, oferecendo um modelo escalável de produção de soja e milho para o Brasil e o mundo.


Na segunda fase de trabalho, o projeto segue com o patrocínio da Cargill, conta com a coordenação técnico-científica da Embrapa e execução operacional do Instituto BioSistêmico (IBS), além da parceria de sete instituições nacionais e 8 fazendas localizadas na região de Rio Verde, no sudoeste goiano.


As instituições parceiras são: Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), Grupo Associado de Agricultura Sustentável (GAAS), Grupo Associado de Pesquisa do Sudoeste Goiano (GAPES), Instituto Federal Goiano, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Universidade de Brasília (UnB).


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