Como o Brasil e o agronegócio tropical são fundamentais no combate à fome e a desigualdade social

Atualizado: 22 de set. de 2021



O segundo debate do “Seminário Internacional Os Desafios da Ciência em Novo Pacto Global do Alimento”, na manhã de hoje, 15/06, teve como tema o “Combate à Fome e Redução da Desigualdade nos Povos Tropicais”, destacando o papel da agricultura Tropical sustentável na mitigação da fome e na contenção da ampliação do déficit alimentar da população global.

Durante sua apresentação, o ex-Ministro da Agricultura e conselheiro do Fórum do Futuro, Roberto Rodrigues, destacou como a pandemia da Covid-19 evidenciou o quanto a segurança alimentar e a sustentabilidade são importantes para o desenvolvimento global, e como esses dois fatores interagem diretamente com o agronegócio.

“Quando falamos de agronegócio destacamos o agro tropical, que incorpora todo o arco entre a América Latina, parte da África Subsaariana e alguns países asiáticos. Esse agronegócio tem no Brasil o líder tecnológico mais conhecido. Atualmente o país tem demonstrado, com o apoio da ciência, tecnologia, inovação e os avanços de agricultores empreendedores, uma condição de crescimento na produtividade sustentável e favorável à nova demanda mundial”, explicou Rodrigues.

A área tropical do planeta, sobre a liderança do Brasil, pode ser a grande resposta para o problema de alimentar o mundo de forma sustentável e preservando os recursos naturais. “Já estamos trabalhando com muita eficiência. Mas é preciso muito mais, é preciso que surjam mecanismos mais vigorosos de ciência e tecnologia voltados para essa demanda, como a bioeconomia, que vai cuidar, sobretudo, de ações e desenvolvimento em regiões mais pobres do mundo todo”, detalhou Rodrigues.

O ex-Ministro complementou ainda que essas ações passam pela geração de bioinsumos, biodefensivos e biofertilizantes e pelos produtos biológicos que vão mudar o caráter técnico de prevenção de doenças e pragas de plantas e animais, de uma forma mais orgânica e sustentável. “Tudo isso é pesquisa, é ciência e tecnologia. E não deve ser realizada apenas por órgãos públicos ou instituições de pesquisa, mas também pelo setor privado”, finalizou Rodrigues.

Água: um recurso muito valioso.

Para o professor da Universidade de São Paulo, Samuel Giordano, o planeta tem abundância de água, o problema é: assim como a renda está mal distribuída, no Brasil e no mundo, a água está mal distribuída e também mal gerida.

“Temos um problema crítico do manejo da água. Muito embora 12% da água doce do planeta esteja em bacias hidrográficas brasileiras, às vezes há muita água para quem não precisa e pouquíssima água para quem precisa muito. Nesse aspecto, algumas medidas já foram adotadas, como o projeto da transposição das águas do Rio São Francisco, polêmico ou não, o fato concreto e real é que ele leva água para muita gente que não tinha a menor condição de ter acesso a água potável”, lembrou Giordano.

O professor alerta que as áreas críticas do semiárido precisam ser abastecidas com água, seja da maneira que for, com cacimbas, reservatórios ou a transposição das águas do Rio São Francisco. Outro ponto é que faltam políticas públicas de estado para tratar a questão da água poluída. Muitas agências de desenvolvimento e de pesquisa como a Embrapa, possuem sistemas muito baratos e simples de tratamentos de águas residuárias domésticas para o meio rural.

“Só que a implementação desses projetos é muito tênue, nós não vemos um programa nacional de tratamento de água, e sabemos que um litro de água suja poluí mais de 100 litros de água de boa qualidade”, explicou o professor.

Outro fator é a administração rígida da água. A gestão de bacias hidrográficas ainda é insipiente no Brasil, ainda existe uma deficiência grande, mesmo frente aos esforços feitos pela Agência Nacional de Águas (ANA) e outras agências regionais.

“Para finalizar vamos destacar a questão da extensão rural e assistência técnica, muito embora alguns governos estaduais e, mesmo Federal, estejam perdidos nessa seara, sem políticas públicas definidas, e muitos Estados em processo de desmonte das entidades de assistência técnica e extensão rural, elas são fundamentais, tanto na aplicação da tecnologia para o tratamento de águas residuárias quanto do manejo das águas de irrigação”, disse Samuel Giordano.

A tecnologia tropical sustentável

Para o economista-chefe do Banco Mundial para Agricultura na África, Diego Arias, a produção de alimentos pode ser feita de forma sustentável e a comunidade internacional tem um papel importante, juntamente com vários fundos verdes e climáticos, para apoiar projetos e o financiamento de uma produção sustentável.

“Poder estruturar iniciativas desse tipo e que tenham uma abrangência global fora das fronteiras é um ponto-chave. Um segundo ponto que eu gostaria de salientar é que, hoje, deveríamos ir além de pensar em sustentabilidade e impacto ambiental, fazer mais do que somente medir emissões de gases estufa”, pontuou Arias.

A biodiversidade é um aspecto chave que também precisa ser contemplado, e que diretamente tem um papel importante no combate às emissões de carbono.

Outro fator é a problemática da nutrição, que a cada dia se torna mais importante em nível global. “As iniciativas de produção nas áreas tropicais têm o potencial de trazer mais diversificação de alimentos para o mundo, que vão além dos grãos, e que possa contribuir para melhorar esses níveis de nutrição à nível global, reduzindo também o custo na saúde”, detalhou o economista.

Para Diego Arias é possível melhorar a saúde do planeta, no nível ambiental, mas também a saúde humana através de uma melhor alimentação. “Esse tipo de iniciativa, que une essas duas dimensões, pode ser a chave para mostrar ao resto do mundo como o alimento pode ser uma ferramenta de transformação nos nossos sistemas alimentares”, finalizou.

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