Debate sobre a Amazônia e os principais desafios para o desenvolvimento sustentável da região

Atualizado: 22 de set. de 2021



O “Seminário Internacional Os Desafios da Ciência em Novo Pacto Global do Alimento”, no âmbito do projeto Biomas Tropicais, promovido pelo Instituto Fórum do Futuro, tiveram como tema principal a Amazônia. A discussão foi concentrada no uso sustentável dos recursos da região como forma de reduzir a miséria e a desigualdade social, sem esquecer de considerar as características dos territórios envolvidos e o status das diferentes áreas em relação ao uso da terra.

A abertura do painel foi feita pelo moderador José Oswaldo Siqueira que fez uma apresentação geral da Amazônia, mostrando a formação do bioma, as riquezas e economia da região, vegetação, fitofisionomia, cobertura e uso do solo, geologia, áreas plantadas e população. O panorama exibido pelo pesquisador serviu de pano de fundo para lançar uma das principais reflexões do painel: como converter uma economia extrativista em economia de conhecimento?

Com uma visão crítica, Siqueira abordou o avanço da degradação ambiental, do tímido crescimento econômico e da possibilidade de atingir o limite ambiental e de tolerância social. “Para onde queremos ir? É preciso identificar as potencialidades e oportunidades que o bioma oferece para uma nova bioeconomia para a Amazônia”, avaliou.

À essa reflexão lançada pelo moderador no início do painel, o chefe-geral da Amazônia Oriental, Alfredo Venturieri, defendeu que, para a produção sustentável da região não existe a necessidade de avançar para as áreas de florestas primárias. “Deveríamos trabalhar apenas nas áreas, nos sistemas produtivos, que foram desflorestadas até o ano de 2008. Na minha opinião essa é uma boa prerrogativa. E nas outras áreas, podemos propor sistemas agroflorestais com modelos específicos de recuperação para cada região”.

Neste sentido, para uma agricultura mais sustentável, o pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental, Alfredo Homma, propôs algumas alternativas, em especial o incentivo à criação de peixes. “Acredito que podemos fomentar uma grande revolução na piscicultura, é uma grande oportunidade. Além disso, é preciso dobrar as ações de reflorestamento, apressar a transição florestal e coibir os ilícitos como o garimpo, o desmatamento e o contrabando”, afirmou.

Na visão do biólogo da Universidade de Edimburgo, no Reino Unido, Kyle Dexter, a ideia de desenvolvimento deve ser encarada também como sinônimo de construção de novas relações, novos padrões de comportamento, de consumo e de vida. “A melhoria na educação e repensar alguns hábitos de consumo, por exemplo”, opinou.

Economia do Conhecimento

No viés apresentado por Dexter, se faz necessário a introdução da economia do conhecimento como forma de combater o extrativismo que ainda é o grande protagonista da cena econômica amazônica. Na esteira deste novo planejamento estratégico de atração de investimentos inovadores e sustentáveis, o painel contou com a participação do diretor da associação privada BioTec-Amazônia, José Seixas Lourenço.

Na explicação de Lourenço, a associação atua como elo entre as demandas empresariais e o conhecimento técnico-científico presente nas instituições de ensino e pesquisa, visando, assim, gerar negócios relacionados à biodiversidade amazônica, agregar valor às cadeias produtivas e promover o desenvolvimento sustentável. “Fazemos esse elo entre conhecimento e mercado para gerar renda, preservando o meio ambiente”, conclui.

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