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Os benefícios da agricultura regenerativa para o solo são tema de pesquisa do Regenera Cerrado

Os pesquisadores buscam avaliar a diversidade de fungos, bactérias e nematoides de solo, indicadores biológicos, químicos e físicos de qualidade do solo.


Parte da equipe de pesquisadores durante coleta de solo em área cultivada com milho


Os princípios da agricultura regenerativa (AR) são baseados na qualidade física, química e biológica do solo. O componente biológico é responsável pelos processos bioquímicos e biofísicos que garantem esta qualidade e a sustentabilidade. Por isso, o estudo de importantes grupos funcionais e taxonômicos do componente biológico e a sua relação com as características químicas e físicas do solo pode revelar as possíveis vantagens da AR. As propriedades físicas e químicas do solo também podem influenciar positivamente nas atividades dos organismos, o que pode favorecer o aumento da produtividade das culturas.


Um grupo de pesquisadores do projeto Regenera Cerrado está dedicado ao estudo da qualidade do solo, nas 12 fazendas que integram a iniciativa, na região de Rio Verde-GO. A equipe é formada por 10 pesquisadores que atuam nos objetivos 5, 6 e 7 do projeto. Os estudos em andamento buscam avaliar a diversidade de fungos, bactérias e nematoides de solo, indicadores biológicos, químicos e físicos de qualidade do solo e fracionamento da matéria orgânica, além de analisar a pegada de carbono.


Fungos micorrízicos são um dos grupos de microrganismos que estão sendo analisados (Box 2), além de nematoides (Box 1) e das comunidades microbianas do solo por método independente de cultivo (Box 3).



De acordo com os pesquisadores, há diferenças claras entre as áreas estudadas no que diz respeito a esses indicadores. Na qualidade física do solo, foi identificada maior impedância (resistência) nas camadas superficiais do solo tanto em áreas de agricultura regenerativa como em áreas de agricultura convencional.


Eles ponderam que são análises preliminares e que ainda precisam interpretar adequadamente todos os resultados obtidos, pois estão concluindo as entrevistas com os agricultores para caracterizar o histórico das práticas realizadas nos talhões.


Segundo a equipe, a expectativa é que seja possível mostrar como e em que magnitude as práticas da agricultura regenerativa podem promover modificações positivas na qualidade do solo.


Parte das análises já foram concluídas como as análises de fertilidade do solo, atributos físicos como densidade do solo e estabilidade dos agregados, os indicadores bioquímicos e a estrutura da comunidade bacteriana (baseada em análises do DNA microbiano do solo) em talhões de soja e no milho.


Análise metataxonômica


Para a análise metataxonômica (sequenciamento de fragmentos de DNA) de comunidades bacterianas e fúngicas do solo, já foram coletadas 80 amostras de solo nas safras de soja e milho 2022-23, sendo 40 amostras para cada cultura. No infográfico a seguir (Box 4), apresentamos um esquema que representa a dinâmica envolvida neste estudo.



Os pesquisadores destacam que a coleta, armazenamento e transporte de amostras de solo é uma etapa muito importante nos estudos, pois cada tipo de análise necessita de métodos específicos. Amostras para pesquisa microbiológica e bioquímica, por exemplo, devem ser coletadas em condições assépticas, transportadas e armazenadas até a análise, em temperaturas baixas e analisadas o mais breve possível após a coleta.


Conforme explicam os pesquisadores, a ciência geralmente está baseada em desenhos experimentais pré-estabelecidos, a partir dos quais é possível tirar conclusões fidedignas. Eles pontuam que a prática agrícola envolve uma série de fatores sobre os quais não há controle prévio, e que variam entre os agricultores tornando a variabilidade dos agroecossistemas ainda mais complexa.


Por isso, no contexto do Regenera Cerrado, onde as pesquisas são desenvolvidas nas lavouras de soja e milho, fora do ambiente controlado dos laboratórios, é um grande desafio para os pesquisadores identificarem os fatores que influenciam a qualidade do solo.


“Assim como em experiências de AR em outros países, as práticas agrícolas de Rio Verde não necessariamente seguem todos os princípios da AR. Da mesma forma agricultores que seguem a agricultura convencional (AC) também adotam algumas práticas da AR. Este é o ambiente no qual precisamos avaliar o peso real de cada prática de AR assim como de cada prática de AC na qualidade do solo e sustentabilidade ambiental”, explica a pesquisadora Fatima de Souza Moreira (Universidade Federal de Lavras – UFLA), coordenadora da equipe deste subprojeto do Regenera Cerrado.


A equipe é composta pelos pesquisadores Cristiane Silva (UFRRJ), Eduardo Severiano (IF Goiano), Jessé Santos (UFLA), Juvenil Enrique Cares (UnB), Larissa Caixeta (UnB), Marcos Gervasio Pereira (UFRRJ), Rafael Leite (UFLA), Rosana Bessi (UnB) e Teotonio Carvalho (UFLA).


Sobre o projeto


O Regenera Cerrado tem como objetivo disseminar técnicas de agricultura regenerativa, respaldadas cientificamente e que sirvam de exemplo escalável de produção de soja e milho para o Brasil e para o mundo.


Criado no Instituto Fórum do Futuro, em 2022, o projeto conta com o patrocínio da Cargill, execução operacional do Instituto BioSistêmico (IBS) e parceria de 10 instituições nacionais e 12 fazendas da região no entorno do município de Rio Verde, no sudoeste de Goiás.


As instituições parceiras no Projeto Regenera Cerrado são a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), o Grupo Associado de Agricultura Sustentável (GAAS), o Grupo Associado de Pesquisa do Sudoeste Goiano (GAPES), o Instituto Federal Goiano, a Universidade Federal de Lavras (UFLA), a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), a Universidade Federal de Viçosa (UFV), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade de Brasília (UnB).


Para mais informações sobre o projeto, acesse o site do Instituto Fórum do Futuro! https://www.forumdofuturo.org/regenera-cerrado


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