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Pesquisa do Regenera Cerrado reforça a importância do manejo sustentável de pragas

Os estudos apontam para a riqueza e diversidade dos agroecossistemas tropicais em termos de insetos e outros artrópodes

S. frugiperda capturada no campo com parasitoide


Mais de 65 mil quilômetros já foram percorridos em 15 meses de trabalho da equipe de pesquisadores dedicada aos objetivos 3 e 4 do projeto Regenera Cerrado. Eles têm buscado desvendar como as funções ecológicas inerentes aos insetos respondem à adoção de práticas regenerativas na produção de soja e milho em 17 áreas de estudo de 11 fazendas parceiras do projeto, no Bioma Cerrado, no sudoeste do estado de Goiás.

Os objetivos 3 e 4 do projeto consistem, respectivamente, em avaliar a dinâmica de populações de insetos-pragas e seus inimigos naturais e avaliar as taxas de predação e parasitismo de pragas-chave.

De acordo com a pesquisadora Eliana Fontes (Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia), que coordena a equipe ao lado do pesquisador Tavvs Micael Alves (Instituto Federal Goiano), os resultados preliminares das pesquisas indicam que o controle biológico de insetos é realmente mais eficaz em áreas com maior uso de bioinsumos. “Se estes resultados forem confirmados com a repetição dos experimentos, vamos mostrar com dados concretos que os agricultores que estão adotando cada vez mais as práticas agrícolas regenerativas estão no caminho certo”, destaca Eliana.

Um resultado preliminar importante apontado pelos pesquisadores é a constatação da riqueza e diversidade dos agroecossistemas tropicais no que se refere a insetos e outros artrópodes. Foi descoberta uma abundância significativa de organismos como tesourinhas, aranhas e formigas, que se alimentam de outros insetos e provocam uma redução no tamanho das populações de pragas. Os pesquisadores também identificaram a presença de fungos, parasitoides e outros predadores que atuam naturalmente no controle de insetos-praga.


Equipe de pesquisadores dos objetivos 3 e 4


Para os pesquisadores, estes achados reforçam o valor e a eficácia de expandir práticas conservacionistas na agricultura, indicando que a natureza oferece soluções eficientes para o manejo sustentável de pragas.

  

Pesquisa em ação


A equipe é formada por 8 pesquisadores envolvidos diretamente nos estudos, 15 pesquisadores colaboradores e 16 alunos de iniciação científica, dos quais 8 estão ativos e 8 já concluíram as ações previstas. Cerca de 8.000 insetos foram analisados pela equipe. Cada amostragem por área de estudo é constituída de 12 pontos de coleta, totalizando 2.448 amostras coletadas por ano em soja e 1.224 em milho. Foram estudados mais de 2.000 insetos por safra de soja e de milho, o que corresponde a cerca de 8.000 insetos por ano agrícola.


Cerca de 8.000 insetos foram analisados pela equipe


O trabalho de campo dos pesquisadores envolve visitas a locais pré-definidos, onde os insetos presentes nas plantas são observados, identificados e contados. “Esta observação direta revela informações importantes sobre o comportamento das pragas e a eficácia dos bioinsumos e da diversificação vegetal em controlá-las. Além disso, conduzimos estudos em laboratório para acompanhar e analisar se os insetos estão sendo atacados por parasitas, que caracteriza o controle natural das pragas”, explica o Tavvs. O pesquisador destaca que os estudos da equipe têm demonstrado um aspecto crucial: as práticas agrícolas adotadas nas fazendas influenciam a mortalidade natural das pragas, tornando-se aliadas valiosas para os agricultores.


Foram coletadas 2.448 amostras por ano em soja e 1.224 em milho


“Estamos vendo o papel importante do próprio ambiente no controle natural de pragas, o que pode significar uma economia significativa em inseticidas para os produtores. Além disso, nossas pesquisas ressaltam que ambientes com menor uso de inseticidas tóxicos tendem a ter um equilíbrio melhor entre pragas e inimigos naturais, o que é benéfico para a sustentabilidade da agricultura”, acrescenta Tavvs.


Sobre o projeto


O Regenera Cerrado tem como objetivo disseminar técnicas de agricultura regenerativa, respaldadas cientificamente e que sirvam de exemplo escalável de produção de soja e milho para o Brasil e para o mundo.


Criado no Instituto Fórum do Futuro, em 2022, o projeto conta com o patrocínio da Cargill, execução operacional do Instituto BioSistêmico (IBS) e parceria de 10 instituições nacionais e 12 fazendas da região no entorno do município de Rio Verde, no sudoeste de Goiás.

As instituições parceiras no Projeto Regenera Cerrado são a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), o Grupo Associado de Agricultura Sustentável (GAAS), o Grupo Associado de Pesquisa do Sudoeste Goiano (GAPES), o Instituto Federal Goiano, a Universidade Federal de Lavras (UFLA), a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), a Universidade Federal de Viçosa (UFV), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade de Brasília (UnB).

 

Para mais informações sobre o projeto, acesse o site do Instituto Fórum do Futuro! https://www.forumdofuturo.org/regenera-cerrado

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