Potencial de produção da Amazônia pode transformar a região no maior celeiro global de produtos

Atualizado: 22 de set. de 2021



Ainda dentro da temática Amazônia, o quarto debate da tarde focou no desafio de transformar a região no maior celeiro global de produtos naturais. De acordo com os dados apresentados, a Amazônia possui 1/3 da vegetação tropical do Planeta, porém responde apenas por 0,17% das vendas internacionais de produtos certificados e alinhados à conservação da Floresta. 

“Esse painel tem como objetivo debater quais as potencialidades e o que podemos fazer para que a Amazônia cumpra o papel de contribuir para o desenvolvimento mundial e, principalmente, melhorar as condições de vida da população local. Muito se discute o preservar a Amazônia, mas isso não é uma opção para o Brasil, mas sim uma obrigação, bem como promover o desenvolvimento sustentável naquela região”, destacou o moderador e representante do Fórum do Futuro, Pedro Abel.

Neste contexto o gestor do departamento nacional de produtividade do SEBRAE Nacional, Victor Ferreira destacou a competitividade e a sustentabilidade dos pequenos negócios rurais no bioma Amazônico, visando mostrar a aplicabilidade das ações do órgão que buscam potencializar as oportunidades dessa região.

“As pesquisas indicam que os consumidores estão mais exigentes e a produção dessa região possui grande conexão com essa realidade. Nosso trabalho é valorizar isso junto aos produtores que estão nesse bioma, para que possam ter cada vez mais renda e agregar valor aos seus produtos”, explicou ele.

Dentro desse pensamento, o SEBRAE tem atuado diretamente nas cadeias produtivas, visando promover a conexão entre os elos, para que haja um valor compartilhado por esses elos, para que todos sejam remunerados e beneficiados igualmente.

“Fazer com que a rastreabilidade, a origem deste produto, esteja ampliada e visualizada nesta cadeia é um desafio que temos colocado com um trabalho junto a pequenos produtores e também pequenos negócios da região. Para isso trabalhamos forte a inovação, visualizando as oportunidades mercadológicas e o conhecimento compartilhado entre esses elos. Tudo isso para que haja uma conexão mais próxima entre eles, dentro do viés de pesquisa e desenvolvimento. O conhecimento cientifico, nesse contexto, é de suma importância”, afirmou o gestor.

Para exemplificar, Ferreira apresentou informações da cadeia do Pirarucu, um peixe nativo da Amazônia, que tem sido procurado por bares e restaurantes internacionais para que comprem o peixe originado em manejo. “Existe um trabalho junto aos produtores de orientação, para que faça, um manejo sustentável, sem agredir o meio ambiente, além de um processo de informação dos demais elos da cadeia, para que esse material seja colocado de forma estratégica no mercado”, acrescenta.

Potencial produtivo comprovado

“Estamos aqui reunidos para debater como transformar a Amazônia em um celeiro global de produtos naturais, mas na realidade o bioma já é um dos grandes provedores desses produtos há milhares de anos. Temos vários produtos que saíram da região e ganharam relevância internacional, como a mandioca, por exemplo”, destacou o pesquisador da Embrapa do Acre, Judson Valentim, ao iniciar sua apresentação.

Segundo ele, a estimativa do valor global do mercado de produtos da biodiversidade da Amazônia, de acordo com a Hecht, 2020, é de U$ 406 bilhões, sendo apenas U$ 8.6 bilhões do cacau e U$ 189.9 bilhões para a indústria do cacau.

“Esses números mostram que apenas uma parcela do valor arrecadado na comercialização, apenas uma porcentagem baixa chega aos produtores. Isso nos mostra que, atualmente, o valor agregado nos produtos é incorporado no além da porteira. Essa questão de trazer o setor industrial para a Amazônia será fundamental para que a bioeconomia seja motor do desenvolvimento sustentável na região”, reforçou.

Dentro desse processo, a Embrapa buscou diversos atores do setor a fim de entender qual o maior desafio para a inovação da região. “Concluímos que a prioridade máxima é agregar valor aos produtos da biodiversidade da Amazônia, considerando a multifuncionalidade do espaço rural nas áreas de produção familiar, de comunidades tradicionais e de povos indígenas”, contou Valentim.

Exemplo da iniciativa privada na região

Representando a Fundação Vale, a engenheira agrônoma Bia Marchiori apresentou alguns exemplos das experiências da empresa Vale do Rio Doce na região Amazônia. “Em 2019, assumimos um compromisso voluntário de proteção e recuperação de 500 mil hectares, 400 mil voltados à proteção por meio de parcerias com unidades de conservação e 100 mil de recuperação de áreas degradadas, além das suas fronteiras. Esse compromisso foi assumido fora de qualquer vínculo de compromisso legal da empresa”, explicou ela.

Nesse sentido, a Fundação Vale propôs para a empresa usar esses 100 mil hectares em investimentos em negócios de impacto socioambiental. “A ideia é, ao invés de seguir o modelo tradicional de recuperação de área, que não inclui o ser humano como uma das partes importantes desse meio, nós propusemos fazer esse processo por meio de negócios agroflorestais, sendo 43% na região da Amazônia”, contou Bia Marchiori.

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