Relação comercial Brasil–EUA: para onde vamos?
- 8 de ago. de 2025
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A relação comercial entre Brasil e Estados Unidos entrou em um novo patamar de tensão. Recentemente, Washington impôs tarifa de 50% sobre boa parte da pauta exportadora brasileira. Embora parte da pauta tenha sido poupada, o impacto econômico potencial é significativo.
Ainda é cedo para medir todos os efeitos, mas, mantidas as condições atuais, parte dos custos será absorvida por consumidores e empresas nos EUA, e parte pelos exportadores e consumidores no Brasil, dependendo do produto, da elasticidade da demanda e da oferta e das condições do mercado internacional.
O governo brasileiro busca canais de negociação para reduzir danos econômicos. A questão agora é: o que virá pela frente?
É improvável que os Estados Unidos tenham como objetivo substituir, por produção doméstica, grande parte do que hoje importam do Brasil, ainda mais considerando que já registram superávit expressivo na relação bilateral.
O interesse pode estar em outro campo: o setor de serviços. A balança de serviços é amplamente favorável aos EUA e inclui áreas em que eles têm alta competitividade global: inteligência artificial, serviços em nuvem, patentes e licenças, seguros e mercado financeiro, big techs e plataformas digitais, meios de pagamentos, comércio eletrônico e digital, dentre tantos outros.
Esses segmentos representam o núcleo da vantagem comparativa americana e, portanto, um espaço estratégico de negociação.
Uma provável estratégia americana em eventuais negociações é trocar redução de tarifas sobre bens por ainda maior abertura do mercado brasileiro de serviços. Isso significaria menos barreiras regulatórias para empresas americanas de tecnologia e finanças, liberalização total para as big techs, maior integração digital, financeiro e de dados, potencial deslocamento de fornecedores nacionais em determinados nichos, dentre muitos outros pontos. Outro setor de grande interesse é o de minerais críticos. A disputa, de fato, não é por celulose, aço ou carne.
As eventuais negociações poderão redefinir a arquitetura do comércio Brasil–EUA, reposicionando o Brasil na economia digital, nos fluxos americanos de serviços de alto valor agregado e no setor de minerais sensíveis.
Esta atual perrengue (e outras que acontecem mais silenciosamente) indica que o Brasil corre o risco de se tornar ainda mais dependente da produção e exportação de commodities básicas.
A pergunta central para formuladores de política e empresas brasileiras é: como negociar de forma a preservar a nossa competitividade no presente e no futuro e os interesses estratégicos do país?



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