UM NOVO CICLO DE EXPANSÃO DA ECONOMIA BRASILEIRA

Atualizado: 23 de ago.



Paulo R. Haddad

Considerado em seu conjunto, o período de 1900 a 2000 foi de grande progresso econômico do Brasil, quando o PIB cresceu a 4,9% ao ano. Destacam-se dois ciclos de expansão: o período 1950–1960 impulsionado pelo Plano de Metas do Presidente Juscelino Kubistchek (crescimento de 7,38% ao ano) e o período de 1970–1980 conhecido pelos anos do “milagre econômico” (crescimento de 8,63% ao ano).


Contudo, o crescimento da economia brasileira no final do século 20 e nas duas primeiras décadas do século 21 foi pífio, com sequelas de anos localizados de recessão econômica (1980–2020). A partir de dados do Banco Mundial observou-se que, de 2001 a 2019, o PIB per capita do Brasil cresceu apenas de 26,3% no período enquanto o PIB per capita da China cresceu 334%.

De qualquer forma, pode-se observar que, se o Brasil tivesse mantido o ritmo decrescimento do grande salto do PIB de 1950 e 1980, o brasileiro poderia ter hojeas condições de desenvolvimento social (educação, saúde, emprego e trabalho,renda per capita e sua desigualdade, condições dos domicílios: disponibilidadede água, energiaelétrica etc.) equivalentes à média dascondições de vida de um cidadão espanhol ou de um cidadão italiano.São praticamenteduas gerações de brasileiros que desconhecem um ambiente socioeconômicode prosperidade e de desenvolvimento dos campos de oportunidades para arealização de seus sonhos profissionais e familiares.


Nesses anos de baixo crescimento, foram se acumulando graves problemas socioeconômicos e socioambientais no nosso País. O Brasil precisa urgentemente de conceber, arquitetar e implementar um novo ciclo de expansão de desenvolvimento sustentável.Um ciclo de expansão se caracteriza, em geral, por um períodorelativamente longo (em torno de uma década) de crescimento sustentado, comelevadas e generalizadas taxas de expansão global e setorial, o qual é precedidode um conjunto de reformas econômicas e institucionais que viabilizam aeliminação dos pontos de estrangulamento e de outros óbices à mobilização daspotencialidades de desenvolvimento econômico e social, através de umconjunto de inovações científicas e tecnológicas.


Propomos que, no novo mandato presidencial, se busque aretomada do crescimento da economia brasileira através da estruturação de umnovo ciclo de expansão por meio de um programa nacional regionalizado de produção dealimentos para a Humanidade, tendo como fundamento o Terceiro SaltoCientífico e Tecnológico da Agropecuária Brasileira, que vem sendo divulgado pelo Instituto Fórum do Futuro sob a liderança de Alysson Paolinelli. O Terceiro Salto incorpora umconjunto de inovações tecnológicas e científicas que vem sendo desenvolvidopor instituições públicas e privadas (uso de sensores, Biotecnologia, softwaresde gestão, drones, agricultura de precisão, plantio direto, projetosagrossilvopastoris, etc.) que estão sendo testadas nos últimos anos com imensosucesso pelo agronegócio brasileiro, sucesso que teria sido maior se ainfraestrutura econômica de apoio às atividades produtivas fosse de melhorqualidade.


Atualmente, o agronegócio brasileiro é o setor produtivo mais importante daeconomia brasileira e tem evitado que a recessão, iniciada em 2014, setransforme em depressão econômica. É o carro-chefe de poderosas cadeiasprodutivas e de valor que envolvem, direta e indiretamente, diferentes setores,com impactos que se espraiam para a indústria química, a indústria de bens decapital, os setores de tecnologia e informação, o setor de transporte, etc.Contribui para intensa redução do custo da cesta básica que beneficiou,principalmente, os grupos sociais de baixa renda, para os quais o peso das despesas com alimentos é maior.


O agronegócio não precisa desmatar para se expandir. Segundo pesquisadoresda EMBRAPA, se conseguíssemos transferir 50% da tecnologia sustentável paraa agricultura, seria possível dobrar a produção de alimentos sem a utilização denovas áreas. Irá precisar, contudo, de melhorar a infraestrutura econômica,como a logística de transporte com uma saída para o Pacífico,a fim de ter acessocompetitivo aos mercados crescentes dos países do Sudeste Asiático.

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