Esalq/USP reforça equipe científica do Regenera Cerrado e amplia pesquisas sobre saúde do solo no bioma
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Parceria amplia base científica do projeto, que reúne especialistas de diferentes instituições para avançar na mensuração da saúde do solo e sequestro de carbono no Cerrado

O projeto Regenera Cerrado avança no desenvolvimento de indicadores para mensurar saúde do solo, produtividade e sequestro de carbono no Cerrado brasileiro com o reforço científico da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP). A entrada da instituição amplia a base de pesquisa da iniciativa e fortalece a análise dos impactos da agricultura regenerativa em sistemas produtivos reais.
A participação da Esalq/USP no projeto está centrada na avaliação comparativa de áreas agrícolas sob diferentes manejos, aprofundando a compreensão sobre como práticas regenerativas influenciam a qualidade do solo e a sustentabilidade da produção.
“A expectativa é avançar na avaliação de indicadores químicos, físicos e biológicos do solo em áreas que adotam práticas regenerativas, comparando com sistemas ainda conduzidos de forma tradicional. Isso nos permite entender, de forma aplicada, como essas estratégias impactam a produtividade e a qualidade do sistema produtivo”, afirma o professor Maurício Roberto Cherubin, da Esalq/USP.
O pesquisador destaca que o trabalho vai mensurar ainda o papel dessas práticas na estocagem de carbono no solo. “Nosso objetivo é avaliar não apenas a quantidade, mas a qualidade do carbono armazenado, considerando o potencial desses sistemas de gerar ganhos agronômicos e ambientais, além de contribuir para a mitigação e adaptação às mudanças climáticas.”
Desafios da transição para agricultura regenerativa
Apesar dos avanços, a transição para sistemas regenerativos ainda enfrenta desafios estruturais no Cerrado. Entre eles, destaca-se a compactação do solo, apontada como um dos principais entraves para a evolução dos sistemas produtivos.
“Mesmo com boas práticas agrícolas, a compactação é um processo inevitável e amplamente disseminado nos sistemas do Cerrado”, afirma o professor Eduardo da Costa Severiano, pesquisador no projeto Regenera Cerrado, doutor em Solos e professor do IFGO (Instituto Federal Goiano).
O uso de plantas de cobertura aparece como uma das estratégias mais promissoras dentro da agricultura regenerativa, ao promover a descompactação biológica do solo, estimular a ciclagem de nutrientes e reduzir a dependência de fertilizantes químicos.
Além disso, favorece o desenvolvimento da microbiota do solo, auxilia no manejo fitossanitário e amplia as possibilidades de integração entre lavoura e pecuária. Como resultado, há incremento da matéria orgânica e avanço na capacidade de sequestro de carbono.
Resultados iniciais do projeto
Os resultados verificados nas fazendas participantes indicam que produtividade e conservação não são objetivos opostos. “O projeto mostra que é possível conciliar ganhos produtivos com a prestação de serviços ecossistêmicos, como a recarga hídrica e o sequestro de carbono”, destaca Severiano.
Ao integrar ciência, prática e monitoramento de indicadores, o Regenera Cerrado contribui para a construção de sistemas agrícolas mais resilientes, eficientes e alinhados às demandas ambientais contemporâneas.
Para Jorge Gustavo, Analista de Sustentabilidade do Negócio Agrícola da Cargill, o Regenera Cerrado representa uma virada de chave na forma de produzir no campo, ao incentivar os produtores a adotar práticas sustentáveis de manejo que conciliam produtividade e conservação dos recursos naturais.
“A geração de indicadores confiáveis sobre saúde do solo e sequestro de carbono é essencial para escalar essas práticas e apoiar os produtores nessa transição”, pontua o representante da Cargill.
Conheça os especialistas em solo do Regenera Cerrado
Maurício Roberto Cherubin (Esalq/USP) - Professor do Departamento de Ciência do Solo da Esalq/USP, Maurício Cherubin é doutor em Ciências na área de Solos e Nutrição de Plantas pela USP, com pós-doutorado no CENA/USP. Engenheiro agrônomo e mestre pela UFSM, possui ampla atuação em biogeoquímica do solo, indicadores de qualidade e sustentabilidade agrícola.
Eduardo da Costa Severiano (IF Goiano) - Engenheiro agrônomo pela UFG e doutor em Ciência do Solo pela UFLA. Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências Agrárias do IF Goiano e bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq. Atua desde o início do projeto, contribuindo no desenvolvimento de práticas regenerativas adaptadas ao Cerrado.Sobre o Projeto Regenera Cerrado.
Idealizado pelo Instituto Fórum do Futuro em 2022, o Regenera Cerrado tem como propósito disseminar práticas de agricultura regenerativa validadas cientificamente, oferecendo um modelo escalável de produção de soja e milho para o Brasil e o mundo.
Na segunda fase de trabalho, o projeto segue com o patrocínio da Cargill, conta com a coordenação técnico-científica da Embrapa e execução operacional do Instituto BioSistêmico (IBS), além da parceria de sete instituições nacionais e 10 fazendas localizadas na região de Rio Verde, no sudoeste goiano.
As instituições parceiras são: Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), Grupo Associado de Agricultura Sustentável (GAAS), Grupo Associado de Pesquisa do Sudoeste Goiano (GAPES), Instituto Federal Goiano, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Universidade de Brasília (UnB).




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