top of page

O QUE O SOLO NOS DIZ SOBRE O FUTURO DO CARBONO NO BRASIL

  • há 2 dias
  • 4 min de leitura

Atualizado: há 1 dia

Prezados Conselheiros e Colaboradores do Fórum do Futuro,


Carlos Antônio da Silva Junior é pesquisador da UNEMAT, e da plataforma SojaMaps e membro eleito do Conselho ISDE (International Society for Digital Earth) junto a Academia Chinesa de Ciências e do Institute of Remote Sensing and Digital Earth.


Carlos esteve conosco no Seminário que o Fórum do Futuro realizou em novembro de 2024, em Oslo na Noruega. Na época, sua empresa, a Spectrax, trabalhava apenas com mapeamento da área plantada em tempo real. Hoje, agrega riscos climáticos, mapas de riscos e relatórios de compliance.


Como poderão atestar, é um colaborador estratégico que trata de um tema central, sobretudo quando consideramos dialogar com a Europa a partir de elementos de compliance e de rastreabilidade robustos e confiáveis.


Carlos Antônio desenvolveu uma pesquisa científica ao lado de pesquisadores de outras universidades para medir em campo o quanto de CO₂ o solo emite e quanto ele absorve em quatro tipos de uso da terra: soja, eucalipto, pastagem e vegetação nativa, aplicados a três biomas diferentes: Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal. Usaram equipamentos portáteis de alta precisão e imagens de satélite com resolução espacial de 3 metros.


Ou seja, nossa expectativa é que ele e sua equipe possam vir a aplicar a mesma metodologia para aferir a evolução dos parâmetros de sustentabilidade no Polo de Paraúna. Dessa forma, o trabalho de Carlos Antônio passará a ser peça-chave na demonstração de legitimidade e de credibilidade dos negócios sustentáveis do Agro Tropical Brasileiro que vamos levar, em junho de 2027, ao Seminário de Frankfurt voltado para os players do mercado da Escandinávia.


Temos certeza que vão gostar desse trabalho.


Abraços, Fernando Barros



 



Prof. Dr. Carlos Antonio da Silva Junior

 

Cientista/Professor na Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT)

Co-fundador da SpectraX

Sinop, Mato Grosso, Brasil

Instagram: @prof.carlosjr

 

É coordenador do lab. GAAF (https://pesquisa.unemat.br/gaaf/) e da plataforma SojaMaps. Membro eleito do Conselho ISDE (International Society for Digital Earth) junto a Academia Chinesa de Ciências e Institute of Remote Sensing and Digital Earth.

 

É também um dos criadores da spectrax. Empresa que realiza mapeamento em tempo real de mapas de riscos, dados climáticos e relatórios de compliance - https://www.spectrax.com.br/br

  

Medimos, em campo, quanto de CO₂ o solo emite e quanto ele absorve em quatro tipos de uso da terra: soja, eucalipto, pastagem e vegetação nativa. Fizemos isso nos três biomas do Mato Grosso do Sul: Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal, em que utilizamos equipamentos portáteis de alta precisão e imagens de satélite com resolução espacial de 3 metros.

 

O que encontramos tem implicações diretas para quem pensa em crédito de carbono, conformidade ambiental e estratégia de investimento no agro.

 

O resultado central: nem todo uso da terra emite igual.

A pastagem é, de longe, a maior emissora de CO₂ pelo solo. No Pantanal e na Mata Atlântica, a emissão da pastagem chegou a ser seis vezes maior do que a da soja. No Cerrado, foi o dobro (e isso não é opinião). São 1.200 pontos de medição in situ distribuídos pelos três biomas.


Eucalipto e vegetação nativa absorvem carbono.

Tanto o eucalipto quanto a mata nativa apresentaram valores negativos de fluxo de CO₂ por satélite, o que significa que essas coberturas estão retirando carbono da atmosfera de forma consistente, independentemente do bioma. São sumidouros de carbono confirmados por dados de campo e por sensoriamento remoto simultaneamente.

 

Soja emite pouco.

Entre as atividades agrícolas, a soja apresentou as menores emissões de CO₂ do solo, especialmente no Cerrado e no Pantanal. A atividade metabólica do solo sob lavoura de soja é baixa em comparação com a pastagem, o que posiciona essa cultura como aliada em estratégias de agricultura de baixo carbono.

 

O que isso significa na prática? Para quem investe ou toma decisão sobre uso da terra, os dados apontam três caminhos concretos:

 

Primeiro, a recuperação de pastagens degradadas não é apenas uma exigência regulatória. É uma oportunidade de redução real de emissões. Substituir pastagem degradada por eucalipto ou sistemas integrados (lavoura, pecuária e floresta) pode inverter o sinal das emissões naquela área, passando de fonte para sumidouro.

 

Segundo, o eucalipto tem papel estratégico que vai além da celulose. Os dados mostram que plantios de eucalipto funcionam como reservatórios de carbono em qualquer bioma avaliado. Mato Grosso do Sul já é o maior exportador de celulose do país e tem a meta de se tornar carbono neutro até 2030. O eucalipto é peça central nessa conta.

 

Terceiro, a conservação da vegetação nativa não é apenas questão ambiental. É ativo financeiro. Áreas de mata nativa absorvem carbono de forma mensurável e verificável. Num cenário de mercados de carbono em expansão e regulações como a EUDR europeia, manter floresta em pé é manter valor em pé.

 

Uma nota sobre método

Os dados foram coletados com o sistema portátil EGM-5, padrão internacional para medição de CO₂ do solo, em 100 pontos por classe de uso em cada bioma. O modelo de fluxo de CO₂ por satélite foi calibrado com imagens Planet (3 metros de resolução) e validado com técnica de covariância turbulenta. Os resultados passaram por análise de componentes principais e correlação de Pearson. O artigo científico completo, com todos os detalhes metodológicos e estatísticos, está publicado no Journal of Cleaner Production (Elsevier).

 

Artigo científico de referência:

Teodoro, P.E., Rossi, F.S., Teodoro, L.P.R., Santana, D.C., Ratke, R.F., Oliveira, I.C., Silva, J.L.D., Oliveira, J.L.G., Silva, N.P., Baio, F.H.R., Torres, F.E., Silva Junior, C.A. (2024). Soil CO₂ emissions under different land-use managements in Mato Grosso do Sul, Brazil. Journal of Cleaner Production, 434, 139983. https://doi.org/10.1016/j.jclepro.2023.139983

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
 

Comentários


© 2022 criado por educadoragil.com.br

bottom of page